Porque...
Porque sempre passa muito tempo do tempo que desejamos.
Porque sábado, o domingo adormecido.
Porque o violão ecoa nas paredes. Esboços que serão tantas lembranças vazias no branco calado de mais ausências.
Porque a cada instante, os olhos perdem o brilho, a voz ganha a rouquidão do cansaço do corpo, da placidez do desprendimento da alma.
Porque as guerras deixam de ser anseios de vitórias e, borboleteando, voam como páginas de um livro há muito escrito.
Porque o carro dá voltas nas ruas esquecidas e redescobre espaços perdidos, e desenha arquiteturas cobertas de novas luzes.
Porque eras não trazem o que foi, e séculos ainda não serão.
Porque o espalhar-se na janela embebe o corpo do horizonte que esta cidade abraça.
Porque o azul que o sonho busca está ali, despojadamente parado na esquina que não existe.
Porque teimam em mexer em feridas cicatrizadas? Não da pra me deixar em paz não??
Escrito por Má às 23h16
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