Esboço de Idéias


Para a mulher por quem me apaixonei!

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhe toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que ela traz consigo. Eu tenho é que tocá-la, cheirá-la, acariciá-la, penetrar-lhe o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhe o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-la em deusa. Tenho que dar-lhe o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu a respeito e a venero, com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhe faço perguntas, não a pressiono por nada, não lhe tiro a liberdade, não quero mudá-la jamais. Sempre imagino o que esteja sonhando, e pulo de cabeça no sonho dela. Cavalgo o vento para visitar-lhe a razão, a emoção e as loucuras. Como uma deusa escandalosa e surpresa por sua própria criatura, entro no coração dela, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-la.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar uma mulhere é uma experiência religiosa. E eu a amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu daria a ela todos os dias, um orgasmo cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com ela. Andaríamos descalças na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhe faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria eternamente. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, a veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono dela, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, a cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como uma felina lógica, sensual e saciada, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a gravidade, a geografia... Não!

Eu somente iria amar a essa mulher, como ela merece. E como nunca foi amada.

Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!
Mas o novo ocupa o lugar de todas essas coisas!

Texto de Edson marques - adaptado.

 



Escrito por Má às 13h29
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